Vacinas contra o coronavírus mais avançadas

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Vacinas contra o coronavírus mais avançadas. Apesar do progresso da pesquisa mais recente, o agente imunológico Covid-19 mais avançado ainda precisa passar por um teste difícil: um estudo de fase 3. Eles consistem em milhares de pessoas, comparam candidatos a placebos ou outras vacinas e avaliam a segurança e a eficácia.

Uma vacina desenvolvida na Universidade de Oxford, no Reino Unido, parece ser a líder desta competição – pertence à empresa farmacêutica Astra Zeneca. A pesquisa com ela, já na fase 3, visa recrutar mais de 50.000 voluntários em todo o mundo. Entre eles, 5.000 profissionais de saúde brasileiros em cooperação com a rede D’Or e a Universidade Federal de São Paulo.

O outro a ser testado no país é o produzido pela Sinovac na China. A empresa farmacêutica enviará 9.000 doses de vacinas feitas com vírus inativados aos brasileiros. Esta é uma tecnologia semelhante à usada para prevenir a gripe todos os anos.

Confira agora alguns dos candidatos mais promissores para a nova vacina contra o coronavírus.

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A vacina de Oxford

É feito de um tipo modificado de adenovírus. Este vírus carrega um pedaço de material genético de Sars-CoV-2, que estimula as células do nosso corpo a produzir os chamados espinhos. Estamos falando daquelas espécies de “espinhos” que têm um novo coronavírus em sua superfície. Mas cuidado: essas estruturas por si só não causam Covid-19 e o adenovírus inoculado também não tem capacidade de replicação.

De qualquer forma, as espículas fabricadas pelo organismo após a vacinação incitam o sistema imunológico a produzir anticorpos contra elas. “Essa estrutura se liga a enzimas na superfície das células do corpo para o Sars-CoV-2 infectá-las”, explica Jorge Kalil, imunologista do Instituto do Coração (Incor) e professor da Universidade de São Paulo.

Isso significa que, ao produzir imediatamente anticorpos anti-spike, seu sistema de defesa bloquearia a entrada de um novo coronavírus nas células. Graças a isso, não causa danos ou replicações.

Segundo os especialistas envolvidos, a vacina Oxford mostrou-se eficaz e segura em estágios iniciais de pesquisa envolvendo mais de 1.000 pessoas. No entanto, os dados ainda não foram publicados em revistas científicas.

A vacina chinesa que vem para o Brasil

Já essa é produzida com o novo coronavírus em si, mas inativado. Esta versão do agente infeccioso criado não é capaz de se replicar, mas ativa o sistema imunológico.

Feito por Sinovac, também se mostrou eficaz em testes em animais que ocorrem antes de experimentos em humanos. Em um comunicado de imprensa no site da Clinical Trials Arena, a empresa publicou os resultados preliminares de um estudo de Fase 2, uma etapa que testa a segurança e a dose ideal de um composto em um número significativo de pessoas – mas menos do que na Fase 3.

Segundo a empresa, 90% dos participantes desenvolveram anticorpos neutralizantes 14 dias após a injeção, sem eventos adversos relatados. No entanto, os dados também não foram publicados em revistas científicas, o que limita significativamente qualquer interpretação. Vacinas de RNA contra coronavírus

Como na proposta de Oxford, essas vacinas são projetadas para fornecer ao sistema imunológico apenas a parte do código genético Sars-CoV-2 responsável por produzir o vírus.

Somente aqui é essa porção de RNA do novo coronavírus entregue isoladamente, sem o adenovírus modificado. De fato, é envolto em uma camada de gordura ou outro composto que protege sua composição delicada até atingir as células do corpo.

Nessa abordagem, a vacina desenvolvida por uma empresa farmacêutica moderna, em cooperação com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID, na sigla em inglês), assumiu a liderança. Estudos em humanos começaram em março.

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Segundo a empresa, em um primeiro passo, 105 voluntários mostraram a produção de anticorpos neutralizantes “em um nível comparável ao dos pacientes recuperados pelo Covid-19”. Atualmente, o trabalho está na fase 2, assim como outra proposta de vacina baseada em RNA desenvolvida pela Pfizer e pela Biotech.

Essa tecnologia é mais ousada e pode ser promissora, mas algumas barreiras precisarão ser superadas. “Apesar de funcionarem bem em animais, vacinas desse tipo geralmente causam uma reação que não é muito forte ou persistente”, diz Kalil.

A Moderna afirma ter uma tecnologia mais eficiente para entregar o RNA do Sars-CoV-2 nas células humanas, o que superaria essa limitação.

Por que vacinas estão sendo testadas no Brasil

Os teóricos da conspiração argumentaram que nosso país é escolhido apenas como cobaia para outras nações mais desenvolvidas.

“O melhor lugar para provar que uma vacina funciona é ter uma epidemia com alta circulação de vírus”, explica Rosana Richtmann, especialista em doenças infecciosas do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo. Além disso, o Brasil tem um histórico de produção de vacinas e pesquisadores reconhecidos nesse campo.

Além disso, é possível que esses estudos facilitem o acesso a dosagens, se forem realmente eficazes. “Por exemplo, Sinovaca foi feita usando uma técnica dominada pelo Instituto Butantana. Seria apenas necessário transferir tecnologia “, comenta Rosana.

E quando fica pronta a vacina?

“Há alguns meses, nos perguntamos se havia uma vacina. Hoje, provavelmente a pergunta é qual delas será a melhor “, diz Rosana. “Entre outubro e novembro, os resultados devem chegar a um dos candidatos que estão na fase 3 do estudo”, diz Rosana.

Se eles forem positivos, será necessário avaliar os dados detalhadamente e procurar aprovações e produção em larga escala, o que levará vários meses. “Se tudo der certo, podemos preparar a vacina no primeiro semestre de 2021”, diz a epidemiologista Cristiana Toscano.

Mas vale lembrar que, pela primeira vez na história, o imunizador está pronto tão rapidamente. O atual recordista é a vacina contra o Ebola, pronta em cinco anos.

Além disso, como a aceleração de várias etapas do ritual científico é acelerada, os números referentes à possível eficácia dessas vacinas devem ser interpretados com cautela. Mesmo com um imunizador aprovado, os pesquisadores continuarão a seguir voluntários para ver a extensão da proteção e a aparência de possíveis efeitos colaterais menos comuns.

De fato, a resposta imune ao próprio Sars-CoV-2 é uma grande incógnita. Agora, algumas pessoas estão sendo tratadas sem produzir anticorpos eficazes contra o vírus.

“Temos muito mais perguntas do que respostas e não há dados publicados. Não podemos entrar na euforia global de querer ser vacinado a todo custo “, diz Kalil, que está trabalhando em uma proposta de vacinação brasileira.

Ele e sua equipe estudam o soro de pacientes em recuperação do Covid-19 para entender melhor a resposta do sistema imunológico ao coronavírus.

A partir daí, a ideia é criar uma injeção que replique a resposta mais eficaz do nosso sistema de defesa.

A questão da distribuição

A vacina aprovada atrairá simultaneamente o interesse de bilhões de pessoas. “A capacidade de produção global não suporta essa demanda. Christiana disse que o fornecimento pode ser realizado em etapas e os países estabelecerão grupos prioritários.

Além dos profissionais da saúde, os idosos são uma escolha lógica, mas o fato é que o sistema imunológico dos idosos responde mal às vacinas em geral, o que pode exigir uma dose de reforço.

Outra questão referente ao trabalho de Christiana na OMS é garantir uma distribuição igual. A médica disse: “No passado, experimentamos países pobres incapazes de obter vacinas e estamos trabalhando com a aliança para tentar evitar essa diferença”.

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